Só te peço isso

Todos os dias eu tenho vontade de te dizer o quanto você é perfeito e que eu não te mereço, que você não deveria estar comigo e te mandar embora. Embora pra onde? Só se for pra minha casa. Queria ter o poder de te colocar em uma caixinha de refúgio e ter você pra sempre. Egoísmo puro, eu sei. Mas é que sem você é mais difícil. O fardo é mais pesado, a vida tem menos graça e os problemas se tornam maiores – mesmo que você seja um deles. Mesmo que você seja extremamente infantil para algumas coisas, mesmo que só queira me alegrar. Teu jeito me encanta. Teu carinho misturado com ironia e em seguida um beijo com mordida, teu amor.

Você fala de estrelas e coisas estranhas e eu só sei falar bobagem. Na verdade eu até sei falar sério, mas prefiro te fazer rir (nem que seja mais de mim do que comigo). Sou tola, eu sei. Mas te amo. Amo mesmo, bastantinho. E sinto ciúmes, medo de perder e sou cheia de inseguranças. Mas você nem nota, me olha com tanta admiração e zelo que tenho vontade de sacudir e dizer o quanto eu sou errada, te falar de todos os meus defeitos, desde os menores até aqueles praticamente  insuportáveis. Mas é nos teus olhos que eu vejo segurança, é no teu abraço que eu acho que tudo vai dar certo.

É tão fácil sentir e tão difícil explicar. Aos poucos você me ganha, faz a vontade de ver aquele outro cara diminuir e a de  ficar perto de ti aumentar. Mas anda logo, vai embora. Não se apega e não deixa eu em apegar. Nós dois sabemos que é morte premeditada.  Amor que vai crescer e não vai ser forte o suficiente. E vai morrer como qualquer outro. Não vai ser diferente, não vai render um livro inteiro, talvez um capítulo ou apenas algumas páginas. Você é tão certinho, tão careta e me faz tão bem.  Não bebe, não gosta de tatuagens e nem pensa na possibilidade de provar tudo de errado que o mundo proporciona. Nem preciso dizer que sou o contrário de tudo isso e continuo te amando.

Só te peço pra não me entender, não me perdoar, não tentar ver meu lado bom. Fica com o ruim. Olha meus defeitos e exalta todos eles e usa como motivo pra ir embora. Só aceita meu pedido de desculpa. Desculpa por entrar na sua vida, bagunçar ela e querer sair de uma forma tão abrupta. É só medo. Medo de não saber o que fazer quando você disser que não dá mais ou que passou naquela prova E vai embora.

Você é um nerd, cretino, besta, grosso e eu não quero te largar nunca mais.  Você gosta de legião e nem gosta de imaginar as músicas que eu já cantei e dancei em festas por aí. Até que te dou razão, elas são realmente idiotas e sem conteúdo. E que seus rock’s pesados que maltratam meus tímpanos são melhores. Apenas no quesito letra, que fique bem claro. Por quê você é tão compreensivo? Por quê não me dá motivos pra te odiar? Meu forte é dar errado, não tente mudar isso, não sei me virar de outra forma.

Talvez até saiba, mas é que amar alguém é tão complicado. Nada convencional, nada que se bem guardado, fica como é. Amor se a gente deixa pra depois, ele morre. Precisa ser cultivado e eu não faço a mínima de como fazer isso. Meio que já me acostumei a não ter que cultivar. É tão estranho. Mas olha, vou te contar uma coisa..não quero nem saber como é, quero só te amar.

Poderia ter sido amor

 

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Poderia ter sido amor, amor dos bons, companheirismo ou por não ter bons motivos, apenas uma boa amizade. E foi o que? Descaso disfarçado de carinho. Ah, se soubessem como eu odeio isso não ficariam dizendo que tenho sorte.  Não tenho sorte por ter alguém que gosta de mim de vez em quando, sei lá qual é o conceito de sorte de vocês. As vezes tenho absoluta certeza que essas pessoas que não tem certeza de nada amam se atravessar na minha vida, bem que elas poderiam ficar longe, bem longe. Agradeço desde já.

Sabe, sentir que alguém só vai estar em algum lugar se tiver algo a mais que você é uma das piores sensações. Dá vontade de sumir, evaporar e desiludir de uma vez por todas que a saudade vai apertar. Não vai, agora sabemos que o celular pode até tocar, mas não vai ser ele. Mensagem da operadora ou a amiga convidando para dar uma volta. Afinal, por que ele ligaria? Ah, por favor, desacreditem que eles ligam só pra matar a saudade. Não ligam, saudade pode muito bem ser preenchida por amigos, bebidas e saias curtas. Quanto mais cedo você aprender isso, melhor. Mas não generalize minhas amargas palavras, só peço para não esperar demais, para não deixar suas coisas de lado e não viver em função de se fazer presente.

Por experiência própria, não vale de nada. É só…sei lá, mágoas a mais. E é ruim demais quando isso acontece, quero dizer, quando mágoas são acumuladas e viram motivo pra desistir do possível amor da sua vida.  Que babaquice. Quem desiste? A gente vai até onde pode, onde dá. Tenta uma, duas, três, quatro e quantas mil vezes forem necessárias. As vezes em vão, as vezes por amor, loucura ou paixão. Acho que tudo acaba na mesma coisa e tem o mesmo efeito. Não sei, só quero tentar, ops, amar. 

Promessas mal cumpridas

Não sou boa em cumprir promessas, acho até que já falei sobre isso. Prometo tirar a maquiagem quando chego de algum lugar, prometo arrumar meu quarto e mantê-lo assim, prometo ser mais paciente e dedicada. Não sou nada disso, mas até que me esforço psicologicamente. Prometo também (todos os dias) parar de correr atrás, de levantar bandeiras, de dar sinais e tudo mais que não é mais necessário, coisa que só o tempo pode resolver. Mas como falei, prometi ser mais paciente, coisa que não rolou. Queria mandar no tempo e fazê-lo voltar por alguns meses e depois apressá-lo. Sou curiosa. Esses dias no shopping, vi uma sala com várias tendas com a seguinte placa: Ajuda espiritual. Como sou muito ligada a essas coisas, fui perguntar como funcionava, mas essa “ajuda” custava 50,00 reais e eu não tinha no momento, eram cartas de tarô e a mulher me lembrou uma pessoa que gosto muito, mas era muito antipática.

Ah, um tempo atrás também prometi não dar mais atenção a essas coisas, sinto muito também. Só cumpro o que  não prometo e prometo muita coisa. Ainda bem que prometo para mim e não para os outros, é horrível acreditar em uma promessa e ela não se cumprir. Acho que daí que vem as decepções, das promessas feitas não cumpridas e  daquelas que entendemos que foram feitas. Entendemos sentimentos como promessas, então quando alguém demonstra ter sentimentos por outro alguém, esse alguém logo faz um contrato mental onde a pessoa assina que nunca vai abandoná-la ou magoá-la. E nós sabemos que não é assim, sentimento não é promessa de nada e promessas não foram feitas para serem levadas  ao pé da letra, não hoje em dia. Apesar de que eu não sou um modelo de pessoa que não acredita em promessas, acredito muito, acredito até no que foi dito e não prometido. Não esqueço nenhum detalhe, nenhuma palavra.

E passo bastante trabalho por isso,  as pessoas não lembram do que dizem e parecem não lembrar também que algumas coisas doem e não é pouco. Vivem em função do trabalho, da academia, do namorado e das compras. É raro hoje em dia quem namora por sentimento, status é mais importante. E eu que prometi (também) não me deixar afetar por isso, acabei deixando. Mas o que a gente tem que aprender mesmo e prometer e colar no espelho, na porta da geladeira, na contracapa do caderno e onde mais fiquei visível diariamente é que ninguém é totalmente certo e totalmente errado e a perdoar acima de tudo. Afinal,  já prometemos e não cumprimos várias vezes.

Música mais linda do mundo!

[…]Eu aceitaria a vida como ela é,
Viajaria a prazo pro inferno,
Eu tomaria banho gelado no inverno.

Por você… Eu deixaria de beber,
Por você… Eu ficaria rico num mês,
Eu dormiria de meia pra virar burguês.

Eu mudaria até o meu nome,
Eu viveria em greve de fome,
Desejaria todo o dia a mesma mulher…

Ok, não é mais linda, mas é linda do mesmo jeito <3

Pra começar o ano com um pouco mais de romantismo

Já faz um tempinho que vi esse vídeo, mas hoje em especial lembrei dele e resolvi mostrar. A atriz Carolina Ferraz fez vários vídeos contando histórias de amor, mas esse fala apenas sobre o amor e na minha opinião, o mais lindo de todos.

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Cara certo. Tempo errado.

Outubro de 2017. Como o tempo passou tão rápido e tanta coisa mudou? Daqui a uma semana faço 19 anos e resolvi passar esse aniversário com a minha família. Mudei pra cá faz quase dois anos e desde então tenho evitado ir em casa novamente. Minha vida mudou muito nos últimos 5 anos, abandonei muitas coisas e pessoas. Antes de sair de casa olhei todos os meus cadernos antigos, minhas fotos, minhas colagens, minhas listinhas de desejos de 2012 e as  fotos com aquele cara especial. Logo em seguida guardei tudo e jurei não olhar mais para trás, minha vida agora é outra.

Nunca consegui cumprir esse tipo de promessa – infelizmente.

A saudade de casa, a vontade de me sentir mais real e um pouco a mais de maturidade me fizeram retornar. Dizem que não existe nada melhor para acertar a nossa bússola interna do que viajar sozinha; não sei quem disse isso, só sei que tinha razão. Arrumei minhas malas. Comprei as passagens. O voo atrasou e eu quase desisti. Quando entrei no avião me senti com 14 anos novamente e aquele aperto no peito de quem não sabia que tudo iria dar certo. Que tola.

Minha cidade não tem aeroporto, então teria que ir na capital e de lá pegar um ônibus. Cheguei na rodoviária e me deu uma vontade gigantesca de chorar, não era de tristeza, muito menos de alegria. Era um choro de quem sabia o que queria, mas não se permitia querer. Era um choro de agonia. Entrei no ônibus, procurei meu lugar, cadeira ou banco, sei lá, 35. Agradeci, além de ser janela não tinha ninguém do meu lado e num geral, o ônibus não tinha quase ninguém. Sentei, coloquei minhas malas ao meu lado e pude chorar sem medo. Ninguém ali dentro perguntaria se sou eu mesmo ou o que faço por ali. Nunca quis tanto ser igual a todo mundo.

Lembrei da minha festa de 14 anos, juntei uns amigos, fomos para um bar e eu nunca me arrependi tanto de algo. Era uma época de muitos conflitos internos e muitas culpas que não eram minhas. Me sentia um peixinho fora d’água. Não me encaixava com ninguém e chorava escondida por causa disso. Mas naquele ano eu conheci pessoas maravilhosas que me ensinaram o que é uma verdadeira amizade. Meu aniversário foi numa quarta-feira, mas a ”comemoração” foi na sexta. O bar era em uma cidade próxima e tudo parecia conspirar contra. Liguei para o maior culpado de todos meus medos e todas as minhas vitórias. Ele atendeu e já estava indo. Chegamos, dançamos, conversamos e eu sentia que ele estava ali por algum motivo que não era eu. Nesse momento me senti a pior pessoa do mundo.

Fomos embora cedo, para outro bar na minha cidade. Chegamos lá ele sumiu. Ali eu aprendi uma das mais valiosas lições: Não adianta forçar, não adianta ”jogar a toalha”, quem quer ficar, fica. Abri mão de tudo naquele dia. Era quase de manha, eu estava em uma festa com as pessoas que eu gosto, mas faltava uma. A mais importante no momento. Fui embora com outra pessoa, me segurando para não chorar e sentindo que minha cabeça ia explodir. Cheguei em casa, não olhei pra ninguém, não tirei a maquiagem e nem sei onde estavam as minhas coisas. Só troquei de roupa e fui deitar. Algumas lágrimas timidamente escorreram mas eu logo dormi. O cansaço era maior que qualquer coisa – ainda bem.

Acordei com uma tonelada a mais de sentimentos. E pela primeira vez na vida quis continuar. Não poderia ser tão fraca assim ou tão egoísta ao ponto de querer algo apenas para provar para alguém ou para o mundo, vai saber.

Cheguei em casa e não tinha ninguém, minha mãe sabia que eu chegaria naquele dia e por volta das 13:00. Lembrei da rádio e resolvi ir lá.  Vi meu passado na minha frente e quase desisti. Subi as escadas devagar. A porta ainda estava aberta e dava para ouvir um pouco da conversa. Eles falavam a respeito das festas da semana e alguma outra coisa que não consegui escutar. Ouvi meu nome. Apenas isso me fez querer sair correndo e me esconder. Mas continuei. Primeira. Segunda. Terceira porta. Todos me olharam e vieram me abraçar. Meu corpo congelou. Literalmente. Todas as vezes que eu entrei ali e todas as histórias que aquele lugar me rendeu pareciam um filme na minha cabeça.

Ele chegou perto. Olhou no fundo dos meus olhos e me abraçou apertado. Sussurrou alguma coisa no meu ouvido, mas eu não estava ali. Comecei a conversar com todo mundo e senti meu peito se preencher de algo que não sentia a muito tempo, não sei descrever. Só sei que foi bom.  Contei um pouco da minha vida atual e escutei algumas histórias engraçadas. Fiquei até o final do programa. Descemos as escadas como de costume e ficamos conversando ali embaixo. Eu fui no mercado comprar sorvete e ele veio junto comigo.
– Não tem aqui, vou procurar em outro lugar.
– Eu sei onde tem, te levo lá.
Nos despedimos do pessoal e ele me levou em um barzinho na beira da praia e nós ficamos conversando. Dessa vez, sem máscaras. Me senti feliz e insegura. Ele me convidou para sair e me coração acelerou e eu achei que fosse passar mal. Mas aceitei.
– Me busca que horas?
– As 08:00…ou no caso, 20:00 hrs.
– Tá certo, até mais.
Ele não entendeu, ficou me esperando entrar no carro enquanto eu ia caminhando pela praia. Apenas 4 quilômetros, nada de mais.
– Ei, por que tá indo por aí?
– Tenho saudade de fazer esse trajeto.
– Hoje em dia tudo é mais perigoso. Eu vou junto.
Enquanto ele estacionava o carro em um local mais seguro, eu esperava sentada na areia.
– Pronto, vamos?
– Vamos.
Boa parte do trajeto foi em silêncio e eu não me incomodei com aquilo, silêncio também é resposta.
Era umas 17:00 e eu queria matar a saudade de casa, da minha mãe e da minha cadelinha. Mas ele queria ficar conversando e eu sentia que queria chegar ao ponto ”x” da história: O que ele ainda significava pra mim. Mas não sabia como, até que eu fui obrigada a dizer.
– Você significa a ponte entre o que eu era e o que eu sou. Nada mais.
Ele suspirou e abaixou a cabeça. Eu me senti culpada.
– Só isso?
– Só. Esperavas mais o que?
– Um sentimento. Seja ele qual for.
– Ser um elo é ser mais que um sentimento. É ser uma parte imortal dentro de alguém.
Ele me olhou com cara de espanto e disse:

Você foi um anjo na minha vida e eu me arrependo de ter te deixado ir embora. 
– Já passou o tempo de existir algum arrependimento dentro de nós. 

Chegamos na minha casa e antes que ele entrasse eu me despedi e confirmei o encontro de hoje.
Ele percebeu que eu já não queria tanto assim a presença dele, confirmou e foi embora.
Tomei um banho, me arrumei. Minha mãe me olhava de canto como quem diz: De novo?
E antes que ela dissesse alguma coisa eu ”respondi”: De novo mãe.
Ela riu e me abraçou. Eu estava me sentindo bonita e real. Mesmo sendo surreal que o cara por quem eu me apaixonei a 5 anos atrás estava me convidando para sair.
– 20:00 hrs.
Meu coração estava a mil. Ouvi a buzina. Me despedi da minha mãe, da minha cadelinha e fui.
Cumprimentei e senti o seu perfume ”encostar” em mim. Gostei disso.
– Fomos a um barzinho e de madrugada em uma lanchonete qualquer comer qualquer besteira. Me senti tão bem em poder ser eu mesma. Sem me preocupar com a maquiagem ou se estava sendo fofinha. Fomos embora. Eu não queria ir para casa e ele percebeu. Me convidou para ir pra casa dele e eu fui. Não conhecia seu apartamento ainda, na época ele morava com os pais e eu nunca cheguei a ir lá. Apartamento bagunçado, cheiro de casa que vive fechada. Alguns papéis na mesa e um susto.

Nossa foto estava no teu mural. Nunca esperei ver uma coisa desse tipo. (Como nunca pensei que um dia estaria ali). Ele me olhou e deu um sorriso tímido e nostálgico e chegou perto de mim. 
Meu corpo estremeceu. Fez um carinho no meu rosto e colocou a mão na minha cintura. Se aproximou. Colocou a outra mão na minha nuca. Chegou mais perto. Me puxou pra perto. Foi. Novamente eu estava com ele. 
– Não quero que vá embora.
– Não quero ter que embora.
– E agora?
– Vamos dormir, amanha a gente resolve.
Dormimos e eu acordei antes dele. Arrumei minhas coisas e fui embora antes que a vontade de ficar fosse maior. Deixei o café preparado e um bilhete na geladeira:
”Nem sempre o que nos faz feliz está perto. Sinto muito por nós, mas no fundo sei que um dia ainda vamos nos encontrar novamente. A vida não seria tão injusta assim”. 

Colei o bilhete e saí bem devagarzinho, pé por pé, dei uma última olhadinha no quarto, vi seus traços de quem já estava cansado de ser sozinho e antes que o sentimento fosse mais forte, saí sem fazer nenhum barulho para não correr o risco de fazer novamente as mesmas escolhas de sempre.
Fui embora com o perfume dele na pele e mais uma foto de recordação. Vivi com ele tudo que eu queria e aprendi que tudo tem seu tempo, seja ele certo ou errado.

Nós sabíamos desde o início.

A noite está escura e isso me faz lembrar daquelas noites de fim de verão que nós andávamos por aí conversando por entrelinhas e bochechas rosadas.

Dançávamos na rua, nos sentávamos na calçada nos olhávamos por frações de segundos e logo em seguida desviávamos o olhar. Não estávamos dispostos a assumir que por mais incrível que pareça, ali existia alguma coisa. Você me remete a tardes frias em que o sol nos aquece, á abraços que de tão apertados não nos deixam respirar. Eu senti algo tão estranho, tão grande e forte mas ao mesmo tempo tão pequeno e instável.

Dividíamos confidências inexperientes e de alguma forma nos completávamos. Éramos do avesso, do contra, do errado que era certo. Mas eu me sentia bem com isso. Eu vivi com você algo que talvez não viva com mais ninguém e tenho que confessar que nem quero. Quero apenas que fique na sua memória de uma forma doce.

Tenho que assumir também que depois de você algo dentro de mim mudou muito. Talvez porque eu tive que aprender a me virar até passar a saudade gigantesca que eu sentia de você e enfim a ferida curar. Mas não foi só isso, sabe aquela vontade que dá de ser livre, feliz? É isso. Depois de você eu acordei pra vida. Nada mais me pareceu tão sem sentido e feio como antes. Eu comecei a ver a vida com outros olhos e não houve nenhuma mudança no mundo externo, quem mudou foi eu e de forma muito inesperada.

Parei com aquele papo de não se deixar levar por ninguém, é tão tolo e ingênuo da minha parte querer isso. De frieza o mundo tá cheio e hoje eu estou disposta a distribuir amor. Acho que você me ajudou a rever meus conceitos. Ninguém é o que demonstra e se aprofundar de verdade em alguém pode nos afogar em um oceano maravilhoso, é só tentar.

Aqueles sentimentos bons que só sentimos em lugares extraordinários ou com pessoas maravilhosas, hoje vivem comigo. Carrego essa felicidade boba e é ela que me faz acreditar que tudo está ótimo e só vai melhorar.  Meus sonhos mudaram e minha vida também está mudando. Isso é bom. Pelo menos assim eu não sinto tanto a falta de tudo que já fez eu me sentir especial, tipo você. 

Queria poder te contar tudo que hoje faz parte dos meus pensamentos e sonhos enquanto olho nos teus olhos e vejo aquela tua admiração boba por mim, mas que   me deixava boba também.  Acho que carrego um pouco de ti comigo só pra matar  a saudade de vez em quando, tipo aquelas horas que tudo parece não se encaixar.

A confusão dos meus planos e músicas altas, o seu sorriso largo, o meu medo de mundo e meus pés descalços na grama te levando até o portão se largaram no mesmo instante que teu abraço deixou de ser meu e eu deixei de ser tua. Te ver não é mais a mesma coisa e aquelas frases prontas não se encaixam mais com o que eu achei que nós éramos.  Meu coração não faz mais questão de acelerar só pra me dizer que a ferida não curou, ele, assim como eu preferiu o silêncio. Dói menos.

E eu brigo comigo mesma sem saber se é certo abandonar pela metade ou ir até o fim. Se tratando de nós isso nunca foi decidido, abandonei na hora que achei certo e até hoje acho essa decisão duvidosa. Mas foi, passou. O que restou desses 30 e poucos dias foi a saudade de tudo que nós sabemos, não volta mais. 

Deixar fluir!

As coisas mudam de uma forma tão drástica, o que a gente menos espera, acontece. Assim, do nada, sem motivos aparentes ou algo do tipo. As pessoas que mais confiamos erram, aquelas que nunca nos importamos nos surpreendem, daí perdoamos aquela outra a descobrimos erros de mais outra e nos surpreendemos com mais outras…e assim tudo segue.

Tudo ganha uma nova forma, uma nova trilha sonora, um novo filme, um novo lugar, uma nova sensação ao ouvir ou ver coisas antigas e importantes, tudo ganha uma nova capa, um novo caderno, novos textos e novos desenhos. As datas importantes mudam e nós mudamos junto.

E eu que pensei tanto em uma solução para algo que eu nem sabia se existia, descobri que o negócio é deixar fluir. Precisava de um rumo, uma direção, um motivo, um lugar pra ir e outro pra voltar. E agora?

Deixa acontecer. Tudo foi acontecendo de uma forma tão inesperada, tão surpreendente e eu fui vendo que o presente paga pelo passado e – infelizmente – por nossa escolha. Tudo que aconteceu no passado preenche o presente e se não for bem resolvido ocupará o lugar das boas situações que o futuro guarda.

Mas eu não fui atrás, não deixei nenhum espacinho aberto pra tudo que me atrapalhava se desvencilhar, simplesmente fui levando e tentando entender o por que de manter tão presa em algo que já passou uma vez e passou de novo, e sempre passa e eu não percebia.

Tava tudo tão ”na cara” e eu não via as respostas, os desafios, as perguntas, os presentes e as dádivas. Não via porque não queria. Era tão mais seguro ficar em introspecção. Nada que acontecia no mundo lá fora me incomodava, só esperava coisa boa.

Hoje eu consigo viver de acordo com o que eu sou, mas não deixo de viver o que eu vejo. Meu coração tá aberto, de verdade, pra valer. E assumo isso. Eu quero a felicidade mansinha, aquela coisa de olhar um fim de tarde e agradecer por existir de uma forma tão doce.

Em alguma esquina qualquer.

Eu ainda vou te encontrar em alguma esquina por aí, e vai ser como olhar para um estranho, nenhum arrepio, nenhum sorriso, nem nada, nadinha, apenas a lembrança de alguém que por algum motivo já foi especial.  Eu gostaria de falar com você e esclarecer algumas coisas que você não soube decifrar no meu silêncio; gostaria de te contar sobre aquelas coisinhas bobas que é bom dividir com alguém que tenha ideias malucas também. Gostaria de te contar que eu estou melhorando em química e que parei de roer unhas, e também que me desentendi um pouco com a minha mãe mas já me acertei. Queria te contar que vou mudar de escola e cidade e que fico um pouco insegura a respeito disso.

Queria te mostrar um lugar lindo que eu conheci e que transmite uma paz gigantesca. Queria te mostrar os filhotes da minha cadelinha, queria te dar um deles também, queria deixar contigo novamente aquela pulseirinha (Ela fica melhor contigo). Queria te ligar as quatro e vinte e dois da madrugada só pra dizer que eu não consigo dormir. Queria alguém que fosse do teu tipo. Que soubesse lidar comigo e essa minha insegurança disfarçada.

Queria alguém que bancasse meu pai e cuidasse da minha saúde, que reclamasse que eu tomo muito café e que perceba que meus sono é todo desregulado. Queria ouvir tuas baboseiras e brincadeiras tolas, queria tua voz mansa e a calmaria que a tua companhia me trás.

Queria ouvir tua alma, teus segredos, teus medos, bem como era antes, queria te dar beijinho de esquimó e te abraçar apertado. Queria te mostrar a desgraça que eu fiz no meu cabelo só pra te vir rir da minha cara, rs, queria te contar que doeu colocar o piercing e que o filho do tatuador tem um sorriso que encanta. Só provocação. Queria poder roubar teu celular e encontrar milagrosamente todas as minhas mensagens ou pelo menos meu número salvo novamente. Queria te encontrar e ver teus olhos brilharem de felicidade, queria que a vida te desse a mesma sorte que tá me dando e que algum dia, em alguma esquina a gente se encontre e nada mais faça tão sentido quanto um abraço apertado e um café fim de tarde.